segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Transforma-se quantas vezes ao dia?

Vive me enganando!
Sorri mas não pra mostrar felicidade,
Pra mostrar os belos dentes que carrega.

Escreve coisas precocemente
Buscando ofertar um agrado,
Ignoro.
Não é capaz de ler o que outrora escreveu.
Não tenho receio da dúvida, já você...

Estranha mania de magia sucessa de um choque de realidade
Seu silêncio me atortoa,
Por favor não enigmene-se,
Não pra mim.

Cessarei aqui, dando-lhe a chance de conhecer-te por si só
E não porque contei-lhe.

domingo, 29 de novembro de 2009

Cheiro de Chuva

Chuva lava, renova
Chuva reservo.
Chuva me pede danças,
Chuva me pede lágrimas, na chuva as mesmas se ocultam.
Chuva trás afago
Chuva carrega poder, sabedoria
Chuva não porta comodismo.
Chuva não avisa sempre,
Chuva surpreende.
Mas reconheço a chuva de longe,
Decifro sem esforços o insípido cheiro da chuva.

A chuva é uma carícia a dedos longos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ampulheta

Estupidez eu procuro não chamar pra me acompanhar,
Contudo essa sensatez insiste em se atrasar.
E o trem já vai partir, mas paguei caro, e ele não deve ir sem mim
Aliás, talvez parta. Os valores costumam ser esquecidos.

Esquecimentos, estupidez, es, es, es, amiúde!
Silêncio pra que? SÓ SE VIVE UMA VEZ.
Talvez eu arranque minhas roupas e corra nua, chega de vergonha que nem sei bem se tenho, medo que não é meu, medo que é alheio.

Me siga se vier em silêncio e para me acariciar, caso contrário, fique onde está.
Não minto, me dou bem com a solidão.
Seu corpo sua muito, e eu não suporto suor. Deleita-se.
Provocações você faz bem, me provar nem tanto.
Persisto na reprise e só paro se me der por satisfeita, muito satisfeita.
Não quero ouvir sua voz, nem seu riso. Só gema, ensurdeça com teus gemidos.

A máscara está por um fio, não há mais elástico, apoio, ou cola.
Ela cairá, ela cairá e o dono já nem lembra o que há debaixo dela.
E eu? Eu rio, não ajudo na restauração, eu rio, eu rio, adoro rir.
Lenda da calidez paliada e lapidada.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Reação

Ousas crer que te rodeio por afeição?
Que creia então. Aceitas uma dica? Desconfie mais!
Se ando em círculos ao teu redor, é para ocultar-te a saída
E mais, o chão cederá a esse enorme risco circular que piso
Verei a ti sem poder mais me perseguir
Afinal não haverá mais portal.

Um portal que guarda uma fresta à minha passagem
Em vão o fizeram.
Placas, sinais me orientam ao mesmo, e sigo só.
Mesmo andando só,
andando apenas comigo, sem quaisquer invasões ou supervisões
Se quer lembrarei de tal portal.

É que eu moro num casebre de prata,
E você num castelo de farsa ♪

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Imutável

Ai, que enjoo dessa reprise dos meus dias
São tão buliçosamente idênticos
Pudera eu retocar tudo ao meu redor
Mas de cabeça baixa compreendo;
Não me é lícito corrigir o impermitível
Desconheço meu nível de eloquência.

domingo, 22 de março de 2009

Convicta

É essa hora que não passa,
É essa gente hipócrita,
É esse lugar sujo que me paralisa,
É esse sabor amargo do café frio,
É esse tesão que não vem.

Alimento-me sem sentir o sabor,
Alimento-me pensando em pô-lo pra fora,
Alimento-me gritando pra não me alimentar.

Cada riso vem seguido de um berro de realismo,
Cada canção vem seguida de uma má lembrança,
Cada abraço vem carregado de frieza,
Cada olhar vem carregado de compaixão.

Não absorvo nada direcionado a mim.
Sinceramente, isso tudo não é mais tão ruim,
Não se morre por viver de alegrias vãs e rápidas,
Eu não seria a primeira, não tenho tanto mérito.

Talvez seja melhor ficar no escuro,
Aonde não vejo imperfeições, aonde não vejo nada
Aonde nada existe, aonde nada e tudo tem o mesmo valor.

Não me procures, caso me encontres
Não dê meu endereço à mim,
Não quero me achar, não aqui.

sábado, 14 de março de 2009

Sensato

Tentativas vãs de mudar tudo nem sempre vão adiantar
Mas nada impossibilta de tentar trazer renovação
Coisas aparentemente eternas começam a te mostrar o fim
Talvez traga vantagens ou saudades, mostra a futilidade oculta.

Nada ocorre fora de hora
O tempo é sábio, é sensato
Nova fase, novas alegrias
Gosto tanto do que é novo, me felicita bastante.
Receio nessa impolgação, deixar o que é velho
No passado apenas, sem tentar renovar.

Já passou a hora de ir embora,
E eu perdi o trem, ficarei aqui
Esta será a minha casa, o meu mundo particular
Tendo lembranças e projetos, deposito fé
Que tudo será proveitoso, ainda que seja a dor quem vir
Até mesmo ela me ensinará algo.

Certamente me encontrei,
Essa sim é a minha vida!
Esses são meus amores,
Esses são meus cheiros,
Esses são meus sabores,
Essas são minhas cores,
Esses são meus ritmos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Idoneidade

Nada me satisfaz, muito me incomoda
Nada faço pra me satisfazer, muito deixo de correr
Convicta de solucionar o enigma
Convicta do local aonde respiro
Assento-me e observo apenas
Conformismo? Aparências enganam, lembra?

Mal sabes que esse é o meu jeito de virar o jogo
Suporto ficar sem satisfação e com incômodo
Isso não mata, isso não destrói, não ainda
Sou idônea de resolver aqui, agora
Mas não quero, não há vantagem que me baste

'Se você é bom em algo, nunca faça de graça'
'Espere até o melhor momento, até o momento oportuno'

Aguentarei, suspirarei, mudarei de humor
Mas não gritarei!
Jogar tudo pro alto é fácil
Pegar o que está nos ares é mais complicado e me atrai

Quero concluir, pois bem
Serei feliz no tempo que me convém.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Este sangue nas minhas mãos

É até suportável
Mas não vou mais suportar
Tanto sangue em minhas mãos
Que nem sei como vieram em mim parar

São dias, são pessoas
São descobertas, são sons
São coisas que não me fazem bem
São coisas que me despedaçam

Sei que fugir, sumir não soluciona
Sei que fugir, sumir é covardia
Mas e se eu simplismente deixar
Tudo o que está nas minhas mãos cair?

Não é uma fulga, ou sumiço
Logo não é covardia, é?
É apenas um desleixo, um descuido
Posso achar muitos culpados
Pra tanto peso

Mas quero dizer assim
Sou fraca, e esse é o meu erro
Eu podia ter sido mais sábia
Ou perceptiva, e não tão evasiva

Tantos me deram a posse de seus erros
Agora tanto faz, seja quem ou o que for
Sou o único alvo aparente não é mesmo?

Que seja assim então
Sou imperfeita, errante
Desatenta, pecante.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sua indecisão

Passastes a me notar é isso,
Ou estou enganada?
Destes pra me desejar?
Ou jogastes uma simples cantada?

Engraçado, podia jurar que
Desejavas minha distância
Tinha certeza de que meu
Perfume não te causava mais efeito

Então vens me contar
Que olhas o meu caminhar
Me dizes sem negar
Que meu corpo queres tocar

Não sei se devo acreditar
Nas tuas retóricas palavras
É contraditório a todo instante
Quero tua certeza e firmeza.