quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ampulheta

Estupidez eu procuro não chamar pra me acompanhar,
Contudo essa sensatez insiste em se atrasar.
E o trem já vai partir, mas paguei caro, e ele não deve ir sem mim
Aliás, talvez parta. Os valores costumam ser esquecidos.

Esquecimentos, estupidez, es, es, es, amiúde!
Silêncio pra que? SÓ SE VIVE UMA VEZ.
Talvez eu arranque minhas roupas e corra nua, chega de vergonha que nem sei bem se tenho, medo que não é meu, medo que é alheio.

Me siga se vier em silêncio e para me acariciar, caso contrário, fique onde está.
Não minto, me dou bem com a solidão.
Seu corpo sua muito, e eu não suporto suor. Deleita-se.
Provocações você faz bem, me provar nem tanto.
Persisto na reprise e só paro se me der por satisfeita, muito satisfeita.
Não quero ouvir sua voz, nem seu riso. Só gema, ensurdeça com teus gemidos.

A máscara está por um fio, não há mais elástico, apoio, ou cola.
Ela cairá, ela cairá e o dono já nem lembra o que há debaixo dela.
E eu? Eu rio, não ajudo na restauração, eu rio, eu rio, adoro rir.
Lenda da calidez paliada e lapidada.

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